Cultura e luta mineira em Portugal e Espanha

Posted on 3 de Dezembro de 2012

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A luta dos mineiros permanece uma das grandes bandeiras da história social. Ponto de referência sem o qual não é possível entender como essa cultura operária de raiz anarco-sindicalista e na resistência comunista ao estado novo deu origem a uma identidade própria  em comunidades mineiras que à superfície moldaram gentes e terras como Aljustrel ou São Domingos. Historiadores, antropólogos, sociólogos e toda uma vasta academia comprometida à esquerda não esquecem o que a força dessa identidade e memória pode significar hoje. O tema deu já origem a diversos trabalhos de investigação, de que podíamos referir Indústria e conflito no meio rural: os mineiros alentejanos (1858-1938) de Paulo Guimarães (mais aqui), ou ainda sobre a Mina de Aljustrel: Trabalho, Identidade e Memórias em Aljustrel de Inês Fonseca (mais aqui).

Vem isto a propósito da realização no próximo sábado – dia 8 –  em Castro Verde, numa iniciativa do  Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais do Instituto de História Contemporânea e da Câmara Municipal de Castro Verde, do encontro “Cultura e luta mineira em Portugal e Espanha” (aqui):

14h30 – Abertura (Raquel Varela)

14h40 – Memórias do Mangânes no concelho de Castro Verde (Miguel Rego, CM de Castro Verde)

15h00 – As lutas dos mineiros, aqui em Aljustrel (1922 e 1960): a história de um movimento operário que ficou por cumprir  (Inês Fonseca, Universidade Nova de Lisboa)

15h20 – Testemunhos de mineiros

15h40 – Intervalo

15h50 – Cultura mineira e luta dos mineiros nas Astúrias (Rúben Vega Garcia, Universidade de Oviedo)

16h50 – Encerramento (Paulo Nascimento, CM de Castro Verde)

Num ano em que precisamente a cultura mineira e luta dos mineiros nas Astúrias  fez de novo despertar a força dessa luta  parece pertinente  e sugestivo o título das lutas mineiras aqui… a história de um movimento operário que ficou por cumprir. Tudo isto a acontecer numa terra, Castro Verde, que vive e depende da maior mina da Europa. Terra de tradição mineira (veja-se a exposição no Museu da Ruralidade) que forjou neste pouco mais de um quarto de século de existência da Mina de Neves-Corvo um novo tipo de mineiro. A esse novo mineiro, mais afim do burguês do que o operário, se quisermos ironizar pela terminologia que ecoa dessa memória social mineira,  tem faltado toda a atenção e mais alguma em ouvir os testemunhos de mineiros de outrora, os testemunhos dessa identidade solidária e reivindicativa tão necessária às lutas sociais de hoje e de amanhã. Numa altura em que as minas renascem no Alentejo  o que temos afinal hoje de cultura mineira e de luta?

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