A destruição do Estuário do Mira (Vila Nova de Milfontes)

Posted on 19 de Dezembro de 2012

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Vila Nova de Milfontes 3

A destruição do estuário do Mira teve luz verde. Foi aprovado  (aqui), após anos de sucessivos chumbos que remontam a 1988, o resort Vila Formosa, na margem oposta de Vila Nova de Milfontes. Em pleno Parque Natural do Sudoeste Alentejano, nada travou a estratégia nacional de sermos nada mais do que um País Resort.

A costa alentejana tem vindo a ser trilhada na destruição dos seus valores naturais, comprometendo a troco do desenvolvimento imobiliário, a base do seu futuro: seja pela entrega da escassez dos recursos hidrológicos ao golfe; seja pelo resgate das possibilidades agrícolas e variadas de um território e das suas gentes à dependência de uma industria turística de escala maciça. Exclusiva dos grandes grupos imobiliários e inibidora das pequenas iniciativas de escala local.  Troia; Comporta; Costa Terra e Herdade do Pinheirinho em Melides e num salto por cima da industria de Sines, a “nova” Vila Nova de Milfontes na outra margem do Rio Mira: o empreendimento de Vila Formosa. Entre outros

Acerca deste Pais Resort escreveu-se já no MAPA tomando como exemplo Alcácer do Sal, como poderia ser Grândola ou Odemira. Tudo o que aí se diz aplica-se a Vila Nova de Milfontes.

O litoral alentejano é a “nova meca do investimento turístico e imobiliário em Portugal, acenando a repetida senha do desenvolvimento local pelo aumento de postos de trabalho. (…) E sobre esse processo em curso “a crise” resgatou o direito ao debate, à discussão e à oposição contra aquele que se apresenta como a única solução de desenvolvimento (…) Não é pois fácil contrapor argumentos contra propostas que acenam mais emprego e perspetivas de estímulo do tecido empresarial de base local e regional. No entanto é igualmente evidente como a missão agora determinada para este território, resultará à semelhança do que aconteceu com o Algarve, na excessiva dependência ou mesmo monodependência futura em relação à atividade turística. (…) Deste modo a dependência exclusiva na aposta do turismo determinará o fim da estrutura económica agrária, já débil deste e da maior parte os concelhos do Alentejo Litoral. E quanto à inversão esperada das tendências demográficas regressivas, não deixará ainda desta fazer depender a sua estabilidade consoante a sazonalidade da atividade dos novos empreendimentos. E no que devia ser atendido antes e não depois, não está a ser minimamente considerada a qualidade de vida associada ao crescimento demográfico, uma vez que esta irá requerer novas exigências ao nível das infra-estruturas e equipamentos sociais (que a delapidada saúde é exemplo) para essas populações situadas, claro está nas periferias dos novos aldeamentos turísticos. E uma vez apontados estes aspetos mais pragmáticos e economicistas do modelo de desenvolvimento em causa, há obrigatoriamente que questionar não o “como vai ser”, mas “o porquê”, o que realmente se pretende e qual será o custo irreparável desse “País resort”. Quais os custos que trará à paisagem, ao seu território natural e às suas identidades socioculturais.”

Continuar a Ler em MAPA – Jornal de Informação Critica.

Comunicado da QUERCUS Aqui; posição da Sociedade Portuguesa Para o Estudo de Aves: Aqui 

(foto daqui)

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