Protestos na Mina de Neves Corvo

Posted on 6 de Fevereiro de 2013

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Por diversas vezes questionamos como nestas terras, que vivem e dependem da maior mina da Europa, a tradição mineira das lutas dos seus trabalhadores (Aqui, Aqui ou recordado por exemplo Aqui) ganhara nas Mina de Neves-Corvo um novo perfil e tipo de mineiro. Poderíamos, se quisermos ironizar pela terminologia que ecoa dessa memória social mineira,  caricaturar esse novo mineiro, como mais afim do burguês do que o operário. Mas o essencial hoje é  a diferença marcada entre quem é da Mina (Somincor/Lunding Mining) e quem trabalha nas empresas paralelas que aí sempre operaram. Uma diferença marcada precisamente pelas contrapartidas e condições laborais. Nos cerca de 30 anos que leva a mina a diferença tem sido sobretudo marcada com os trabalhadores da EPOS – Empresa Portuguesa de Obras Subterrâneas. Empresa do Grupo Teixeira Duarte, que surgiu em 1981 motivada precisamente pela construção da mina de Neves-Corvo. Para além desta Mina, opera nesta área ainda na Minas de Aljustrel e recentemente junto a Badajoz.

Julgamos por isso importante uma chamada de atenção, como deu conta o Correio do Alentejo, de como no final da semana passada aí ter ocorrido por parte dos trabalhadores da EPOS uma acção de protesto já entretanto finalizada. Sem pré-aviso de greve, assumiram a recusa de descer à Mina. Refere esse jornal que:

« Cerca de 200 trabalhadores da EPOS na mina de Neves-Corvo (Castro Verde) estão em greve contra o que consideram ser “cortes abusivos” nos seus salários.
A paralisação dos trabalhadores deste subempreiteiro na Somincor começou no turno da noite da passada quinta-feira, 31 de Janeiro, depois destes terem constatado que os salários pagos pela administração da Empresa Portuguesa de Obras Subterrâneas continham “descontos abusivos”, revelou o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM).
“Indignados com esta situação, os trabalhadores decidiram não baixar à mina”, adiantou o coordenador do STIM, Jacinto Anacleto, citado pela Rádio Castrense (Castro Verde). O mesmo responsável disse igualmente que os trabalhadores da EPOS não estão a receber o subsídio de laboração contínua, apesar de cumprirem esse horário, e que o trabalho aos feriados está a ser remunerado como se fosse “um dia normal”.
“O STIM está com os trabalhadores, até porque isto não se tratam apenas de cortes por via dos impostos que foram aumentados. Tratam-se de cortes abusivos nos salários dos trabalhadores. Por exemplo, um trabalhador que recebia entre 900 e 1.000 euros tem depositado na sua conta 300 euros. Isto é inadmissível”, acrescentou o sindicalista.
O STIM já solicitou uma reunião com a administração da EPOS, mas ainda não obteve resposta positiva. Entretanto, ainda não existe um prazo para o regresso dos trabalhadores deste subempreiteiro ao serviço. “Os trabalhadores estão disponíveis para a luta até que haja uma decisão favorável aos trabalhadores”, garantiu Jacinto Anacleto.” »

Esse Sindicato comunicou na segunda-feira, dia 4, que:

“A administração da EPOS comprometeu-se a repor a legalidade e corrigir as graves falhas no pagamento aos trabalhadores, em Neves-Corvo (…) Face à justiça da reivindicação e à unidade dos trabalhadores, bem visível na recusa de descer à mina, no dia 1, a administração assumiu o compromisso de analisar cada caso e repor a legalidade. Os trabalhadores manifestaram disponibilidade para encetarem formas de luta, já em Março, caso a administração não dê andamento ao que assumiu. O sindicato vai continuar a acompanhar a situação e fazer tudo o que estiver ao seu alcance, para que a administração honre os compromissos assumidos e para que as justas reivindicações dos trabalhadores sejam satisfeitas.” (comunicados do STIM Aqui e Aqui)

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