Trabalho

Posted on 7 de Fevereiro de 2013

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«A seguinte curta relata várias verdades do mundo moderno. A história mostra a vida monótona e rotineira dos seres humanos nos tempos actuais. Hoje o emprego ou o trabalho  transforma-se no sofrimento de muitos e muitas. Trabalhamos para viver ou vivemos para trabalhar? Na antiguidade  valorizava-se o tempo de ócio, a gente com poder não trabalhava, agora, pelo contrário, até os mais poderosos trabalham, porque o seu principal objectivo é a acumulação de bens. Se na antiguidade a liberdade conseguia-se ao libertar-se do trabalho, na actualidade a liberdade consegue-se acumulando obscenamente dinheiro e bens. O anterior exemplo serve para ilustrar uma mudança de mentalidade na história, porque é necessário deixar claro que as jornadas laborais dos despossuídos são muito mais duras e humilhantes que as dos humanos com poder, e isso continua a ser uma constante.

A maioria da população vê-se na necessidade de vender a sua força de trabalho a troco de dinheiro. Não há outra alternativa. Desde o empregado de supermercado, até ao professor; desde o trabalhador florestal, até ao empregado de escritório, todos, com maiores ou menores salários, com maiores ou menores estudos, são proletários, na medida que a única coisa que tem para vender é a sua força de trabalho. A sociedade moderna tirou-nos todos os meios de subsistência tornando-nos totalmente dependentes do mercado, portanto do capital, do dinheiro. Isto mantem submetida grande parte da população na obrigatoriedade de trabalhar em coisas que não gostam ou francamente detestam, as quais não dão nenhum sentido à sua existência, mais do que uma rotineira alienação constante.

Por último, esta curta, exemplifica o chamado “fetichismo da mercadoria” uma ideia moderna que consiste na crença de que as coisas ou mercadorias aparecem do nada, esquecendo que são criações humanas. Regra geral quando queremos tomar uma chávena de chá, simplesmente pensamos onde podemos consegui-la, ou quanto custa, para poder compra-la. A caixinha de chá estará sempre  magicamente exposta nas estantes de qualquer supermercado. O que nos esquecemos é que para que essa caixinha do chá  exista tiveram que trabalhar um número importante de humanos. Os que plantaram e colheram o chá, os que fizeram as bolsitas, os que fizeram a caixinha de cartão onde vem as bolsas, os que fizeram os adubos para as plantas de chá, os que trabalharam no transporte do chá até ao supermercado, os empregados do supermercado que levaram a caixa à estante. Assim, quando compramos uma caixa de chá, temos uma cadeia de centenas ou milhares de pessoas que trabalharam para que o chá chegasse às nossas mãos. Isso é esquecido, é esquecido que tudo o que nos rodeia é produto do trabalho humano, o cual, nas sociedades actuais onde o trabalho é uma rotina desagradável, muitas vezes tornando-se em sofrimento humano. Uma verdadeira revolução será aquela que termine com o trabalho assalariado, o trabalho assalariado não dignifica, mas embrutece, desumaniza a nossa vida. Por alguma razão a palavra trabalho vem de tripaliare, que provem de tripalium, que quer dizer três paus, que era uma ferramenta de tortura para flagelar escravos em Roma. O trabalho é tortura, simplesmente.

Espero que disfrutem a curta. »

Texto e Curta a partir daqui e daqui

Direcção: Santiago ‘Bou’ Grasso
Ideia: Patricio Plaza
Animação: Santiago Grasso / Patricio Plaza
Productora: Opusbou

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