Alambique #5

Posted on 15 de Março de 2013

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Editorial

Sendo a temática da Ruralidade um eixo central à Alambique, desde há muito que sentíamos a necessidade de acentuar a importância da ressocialização do campo através de propostas alternativas. Assentes na ecologia e não perdendo de vista uma transformação social pela qual a Comunidade, em equilíbrio com a Natureza, possa garantir uma vida digna. Onde o sentido comunitário ultrapassa o materialismo pessoal, potencializando o desenvolvimento e a liberdade de cada individuo.

Neste número temático falamos de Comunidades Alternativas. Metemos a foice em seara alheia, atendendo a que não participamos em nenhuma. Mas mesmo assim arriscamos o debate. Fomos às origens destas utopias postas em marcha e aqui, no Sul de Portugal, desde a Comuna da Luz de Gonçalves Correia à Parreirinha dos anos 80/90. E resulta este último testemunho num desafio lançado pelos próprios para que ganhe corpo um novo projeto de comunidade.

Estamos em crer que estas reflexões surgem na cidade e no campo, numa altura em que os referentes e limites de cada um tornam-se difíceis de separar. Preocupações ditadas pela urgência da luta pela natureza que escasseia e pelas condições de vida mínimas que nos roubam a cada dia que passa. O regresso à Terra está por todo o lado.

O sentido comunitário pode ressurgir hoje como nunca antes. É ao rural que em boa parte o urbano vai buscar as novas guias de referência, reclamando o espaço, a horta comunitária e o potencial assembleário da vizinhança.

Por isso mesmo há que trocar ideias sobre o que é isso, ou o que podem ser, Comunidades Alternativas no campo. São estes projetos de transformação ou de isolamento social? São estes projetos radicais ou reformas geridas pelo próprio sistema? Questões que nos levaram a optar pela adjetivação de Comunidades Alternativas, conscientes de forçar uma separação com a de Comunidades Intencionais ou de Ecoaldeias, mas porque entendemos que estas têm caminhado para um vazio ideológico. Modelos que reduzem o empenho ‘político’ a um empenho unicamente ‘sustentável’ coincidindo ou participando mesmo na linguagem e mecanismos do sistema em cheque, e assim afastando-se dos modelos rurais de rutura e contestação e reduzindo a sua esfera à gestão corrente do ‘desenvolvimento rural’ por outros ditado.

Primavera 2013

(Ilustração original da capa de Antonieta Sanches, 2013)

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O Alambique é destilado a partir do Colectivo Gonçalves Correia com colaborações várias. Participaram neste número: Filipe Nunes; M.B.; P.M.; Antonieta Sanches; José Tavares; Rui Vasco Silva; Fernando Melro; colaboração Gerd e Kerstin (Parreirinha); Júlio Silvestre.
design gráfico — designruim.wordpress.com ilustrações — Antonieta Sanches (capa); José Smith Vargas (p.5); Miguel Carneiro (p.12 e 13, p.21); designruim.wordpress.com (p.24); Ana S. Moura (p.31, p34); Pedro Barros (foto contracapa).

Neste número

M.B. – Impressões de uma comuna

José Tavares – As Experiências Libertárias de Vida em Comum

Filipe Nunes (com Júlio Silvestre) – Comunidades Alternativas

Rui Vasco Silva – António Gonçalves Correia Precursor da Permacultura Portuguesa

Antonieta Sanches – O Que Pode Ser a Permacultura no Planeamento das Comunidades

Filipe Nunes e P.M com Gerd e Kerstin – Uma Comunidade Anarquista no Algarve – Parreirinha

Fernando Melro – Poema

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