Contra a violência policial. Setúbal, próximo sábado

Posted on 20 de Março de 2013

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“Já ouvimos estas estórias vezes sem conta… Ele não parou na operação stop, a polícia teve que disparar. Era um bairro qualquer, a polícia teve que disparar. Tinha um aspecto estranho, a polícia teve de disparar. Ele não se calou quando o insultavam… a polícia teve que disparar.

Ouvimos as versões políciais, o ruído da confusão de opiniṍes, o “jornalismo” de secretária com nomes e factos trocados, cópias exactas de um guião pré-estabelecido a bem da ordem nacional.

E só se quisermos acreditar na mentira é que não percebemos que os passos e as palavras são sempre as mesmas.

A PSP dispara, o porta-voz conta a estória que convém, o INEM confirma, a LUSA reproduz o comunicado oficial e acrescenta uns erros, os jornais repetam a notícia da LUSA, a falta de cadastro é substituída por “suspeitas”, o OSCOT diz que são todos criminosos e terroristas, e os Tribunais confirmam a pena de morte á-posteriori.

Com balas, sem balas, perseguições de carro, espancamentos, e, para os mais requintados, decapitações como a de Sacavêm, a polícia tem sempre luz verde para executar a sangue frio e sair impune. É o biscoito que o cão de guarda recebe em troca da obediência cega.

Os nossos filhos, mortos, são sempre culpados até conseguirem provar a sua inocência. Os polícias, vivos, são sempre inocentes mesmo quando disparam tiros a 1 metro de distância do coração, como o Toni na Bela Vista, ou a 10 centimetros da cabeça como o Kuku na Amadora. Mesmo quando existem imagens que mostram que os tiros para o ar furam pneus, ou quando passam estranhamente perto das cabeças…

Eles “têm” que disparar, eles “têm” que bater, eles são “forçados a intervir”. Como se algum dia bestas inchadas de esteróides que são largadas armadas no meio da rua e com uma trela no pescoço pudessem decidir por eles próprios. Como se não fosse já determinado por outros acima deles que estes filhos do povo a quem lhes pagaram para ser filhos da puta, têm de proteger os ladrões dos políticos e dos banqueiros dessa gentalha que anda de mota sem capacete, que protesta pela sua fome, que quer falar, e ainda pior, que pensa.

E porque pensamos, porque não somos cães de guarda de ninguém, porque nos insurgimos contra a violência dos poderosos sobre os sem-poder, não aceitamos, não perdoamos nem esqueceremos mais uma morte: com ou sem balas. Ruben Marques foi morto pela PSP.

E porque pior do que ter sangue nas mãos é a cobardia de justificar estas morte, ACUSAMOS a Presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores de ter sangue na boca, e estômago de vampiro ao afirmar que o problema da violência policial resolve-se com mais dinheiro e mais policia.

As cidades são muitas, os bairros são diferentes, as pessoas são distintas. O denominador comum nesta equação de morte é a Polícia.

Esse é o nosso problema imediato e directo. E quanto mais nos roubam a nós, mais lhes pagam a eles, para fazer o trabalho sujo que os senhores das secretárias dos decretos das leis e dos bancos não querem fazer. Porque esses cobardes são os nossos problemas de facto, os nossos inimigos reais. Mas escondem-se por detrás de uma barreira de terroristas armados, vestidos e pagos com o nosso dinheiro.

Por isso não procuremos a solução para os nossos problemas no estado. O Estado é parte do nosso problema. As ruas, as praças os bairros e as cidades são nossas. Vamos tomá-las de volta, falar, expressar a nossa raiva, planear e agir.

Concentração de protesto contra a violência policial e de solidariedade com Rúben Marques; com microfone aberto para que todos possamos falar por nós.

Não esquecemos!
Não perdoamos!

TOLERÂNCIA ZERO COM A VIOLẼNCIA POLICIAL. “

TERRA LIVRE – Setúbal

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