Economia de Guerra Sobrevoa o Alentejo

Posted on 31 de Março de 2013

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Eis pois que surge em Beja novo anúncio da tábua de salvação para tão desastroso (não) aeroporto. Uma escola de pilotos militares Sul-Coreana para formar anualmente 200 alunos por um período de 30 anos. O acordo parece garantido, pois ao contrário das negociações com Espanha para Talavera la Real (Badajoz), Portugal não impôs as exigências monetárias do governo Espanhol que levaram ao fracasso dessa primeira escolha.  (…)  Essas “boas notícias” ecoadas na imprensa e Autarquia de Beja, reconhecem a saída pelos panos de fundo, pois como afirmou ao semanário SOL uma fonte militar, “se alguma coisa pode pôr o aeroporto civil a funcionar é este projeto”. (…)

É por demais evidente que tais “boas notícias” sem contrapartidas financeiras prévias, não invertem nem de perto, nem de longe o colosso de prejuízo do aeroporto. Mas outros cálculos financeiros haverá. Diretamente a médio e longo prazo para os líderes mundiais da indústria militar, esse insano ramo da economia global onde a palavra crise não entra. O projeto de Beja, o Consórcio Internacional Militar do Centro de Formação de Voo, é para a Indústria Aeroespacial Coreana (KAI) uma montra essencial para atrair o interesse internacional no T-50 Golden Eagle, aviões da linha dos F-16 da “família” Lockeed Martin. (…)

É pois nesta alta esfera do negócio de armas que é prometida uma saída ao aeroporto de Beja com a instalação da aeronáutica militar no Alentejo. Até porque para lá dos negócios umbilicais de Portugal com a multinacional americana, o cluster aeronáutico que Portugal quer desenvolver, é hoje detido pelo grupo brasileiro Embraer, cujas fábricas em Évora participarão no fornecimento das aeronaves militares KC-390 à Força Aérea do Brasil (…).

Novos empregos fabris perpetuando o fim último da cadeia de produção militar. Lucros gigantescos de uma minoria, justificados por argumentos militaristas cada vez mais difusos (terrorismos supra nacionais), mas cada vez mais óbvios na disputa geoestratégica dos recursos essenciais do planeta. Legitimando um complexo militar-industrial que batizou de Progresso a Técnica como capacidade mortífera e de intimidação e determinando o desenvolvimento de uma dada região a essa mesma indústria. (…)

Numa altura em que os militares contam espingardas, velando ameaças patrióticas e equiparam os cortes militares com o desemprego galopante de quem não tem sustento algum, ou a existência de menos um professor na mesma medida que um soldado, perde-se no meio de tão alargada insatisfação, entre o memorialismo dos militares de abril, o peso e a medida que são necessárias para avaliar quem mais pesa neste barco que nos leva a todos ao fundo. (…)

Excertos do artigo publicado no nº 1 do MAPA – Jornal de Informação Critica (na integra  AQUI)

Acerca da doentia deriva militarista em Portugal ver AQUI e AQUI.

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