O pós-crise da Comporta

Posted on 16 de Abril de 2013

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caixa01Eis de novo as afirmações de quem destina a nossa saída de futuro na região a meros empregados de mesa, criadagem bajulando e servindo alegremente o turista… Não nos desculpem a insistência em voltar ao assunto (aqui e aqui).

Segundo o ministro da economia Álvaro Santos Pereira, na cerimónia de assinatura do contrato de investimento  entre a Herdade da Comporta e a AICEP (Agência para o Investimento e o Comércio  Externo de Portugal), o empreendimento da Comporta Dunes Hotéis e Golfe , que associa o grupo Espírito Santo e a cadeia  Aman e pretende transformar a região da costa alentejana num novo destino  turístico europeu, “é o primeiro grande projeto turístico do pós-crise em Portugal”.

Pelos menos para a economia, ou para aquele que se diz o seu ministro, a crise já se avizinha na pós-crise. Cruza-se no elogio da mais pura ilusão do salvador investimento da banca, que antes fora o véu descortinado do ciclo em que nos encontramos. Onde é que na verdade a crise começou e nos dizem agora acabar? A mesma pergunta pode ser formulada na medida em que olhámos à nossa volta, e atravessado o Sado, vamos de Tróia à Comporta nessa nova pós-paisagem…A que insiste em desviar-nos das paisagens naturais legadas e de todas as possibilidades de um caminho às margens da dependência futura à actividade turística, delineada em nome da mais pura das especulações imobiliárias e bancárias…

É pois, segundo esta lógica, que Álvaro Santos Pereira falou aos jornalistas sobre  a importância destes investimentos para a recuperação económica do país. Pouco ou nada mesmo adiantou sobre a sua convicção quanto ao “pós-crise”. Ou diríamos nós a sua convicção sobre a “crise”.

[ilustração Design Ruim]
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