Feira do Livro Anarquista de Lisboa

Posted on 5 de Maio de 2013

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FLA2013

Lá estaremos…Feira do Livro Anarquista – Lisboa – 24, 25 e 26 de Maio 2013  (aqui e aqui). No Grupo Excursionista e Recreativo “Os Amigos do Minho” na Rua do Benformoso, nº 244 – Intendente.

PROGRAMA

Dia 24 – Sexta-feira

15.00 – Abertura da Feira

18.00 – Roda de Capoeira Angola, por Irmãos Guerreiros

19.00 – Apresentação do livro “Crisis de la exterioridad: crítica del encierro industrial y elogio de las afueras”, pelo Grupo Surrealista de Madrid

«O restabelecer da nossa relação com a exterioridade inscreve-se em duas coordenadas de sentido diferente, cada uma das quais outorga a esta operação um valor especial. Por um lado, esta reabilitação é uma necessidade ontológica, essencial e atemporal do ser humano, já que corresponde à sede de infinito da sua imaginação e sensibilidade. Por outro, restabelecer a exterioridade como um terreno de relação, jogo e experimentação do maravilhoso é uma necessidade histórica transcendental, urgente na fase atual de catástrofe provocada pela lógica do capital e pelo seu próprio colapso.»

20.30 – Jantar vegetariano

22.00 – Apresentação de bancas

23.30 – Performance: “Verde Tinto, ou Os Infortúnios da Virtude”, pelo Colectivo Negativo

«Os patriotas tombam em sangrentos combates, ou lutando contra a fome e a miséria. E acham que o povo quer saber disso? O povo “floresce” com o estrume dos seus cadáveres! Os indivíduos morreram “pela grande causa do povo”, o povo despede-se deles com umas palavras de agradecimento e…» (Stirner)

60 milhões perderam a vida no período da segunda guerra mundial, muitos deles sem terem partilhado o seu corpo com outro corpo que não uma arma, apetites suspensos pelo dobrar dos sinos sequiosos.

24.00 – Encerramento

Dia 25 – Sábado

14.00 – Abertura da Feira

14.30 – Apresentação do livro “Flores Silvestres, uma antologia de Abele Rizieri Ferrari”, editado por Textos Subterrâneos

“A Anarquia é, para mim, um meio para chegar à realização do indivíduo; não o contrário. Se assim fosse, a Anarquia também seria um fantasma.” – Abele Rizieri Ferrari

Abele Rizieri Ferrari, mais conhecido pelo pseudónimo de Renzo Novatore, foi um poeta da anarquia que viveu alguns dos anos mais turbulentos de uma Itália revolucionária e pré-fascista, em que os sonhos de mudança radical de sociedade se esbateram com a traição socialista e a reacção bruta fascista, num país dividido em dois pólos extremos de conflito. Abele viu a sua vida ser-lhe ceifada muito cedo pelas forças de autoridade, nesse mesmo ano de 1922 em que Mussolini marchou sobre Roma, mas deixou-nos um legado quase único de escritos espalhados por revistas e jornais e que o tornam uma figura ímpar, ainda que quase desconhecida, na história do anarquismo. É parte desse legado que hoje recuperamos e trazemos para o português com esta antologia, que espelha o seu pensamento individualista radical nos antípodas de qualquer concepção anarquista tradicional e que o tornaram “maldito” mesmo entre os seus.

16.00 – Debate: Bibliotecas em espaços autónomos

Pensamos que a biblioteca é um espaço privilegiado de encontro, reflexão, debate e partilha.

Acreditamos na importância de estimular os hábitos de leitura reflexiva, a partir de espaços construídos através da participação activa dos indivíduos, e em que estes se auto-constroem enquanto seres livres.

Recentemente, vimos assistindo a um ressurgir de projectos de bibliotecas autogeridas, incorporadas em centros sociais ou associações, com uma postura crítica antiautoritária em relação à sociedade. Por isso gostaríamos de propor, nesta feira do livro anarquista, uma reflexão e uma partilha de experiências em torno de projectos de bibliotecas.

19.00 – Livro do mês da Casa Viva: “Come Hell or High Water”, de Delfina Vannucci e Richard Singer (AK Press, 2010)

Porque um livro também respira, a Biblioteca da CasaViva destaca um livro mensal. Este mês, maio 2013, saltou de uma prateleira Come Hell or High Water, de Delfina Vannucci e Richard Singer.

Da subversão premeditada da autogestão aos problemas tradicionais de qualquer colectivo, tantas vezes surgidos de atitudes inconscientes que se carregam do “mundo real”, este livro debruça-se sobre as razões pelas quais, normalmente, os processos colectivos correm mal.

Editado pela AK Press, também ela um colectivo que funciona em autogestão, o livro Come Hell or High Water fala-nos das belezas e dos limites do consenso, ajuda-nos a identificar sinais de perigo, lembra-nos as tácticas de subversão dos processos igualitários, aborda as lideranças informais mas efectivas e alerta-nos contra a indefinição.

Mas, mais do que uma visão negativa das possibilidades de organização autogestionária, quer-se pensar em formas de fazer a coisa funcionar. Imprescindível para gente que se organiza para construir um outro mundo. Pelos alertas, pelas propostas, por essa capacidade de pôr em palavras o que já muitos sentimos e, sobretudo, por não se esquecer de que a forma como nos organizamos é, ela própria, um reflexo desse outro mundo.

20.30 – Jantar vegetariano

22.00 – Concerto “Corisco”

Trabalho transnacional desenvolvido no Brasil que pretende, a partir da Antropofagia musical, desenvolver músicas interventivas com influência de diversos estilos ao redor do mundo.

24.00 – Encerramento

Dia 26 – Domingo
14.00 – Abertura da Feira

14.30 – Apresentação do livro “Diseño sin Diseño: 50 Objetos Anarquistas”, editado por Vacaciones en Polonia e Fundación Anselmo Lorenzo

16.00 – Debate: A indústria mediática e as suas alternativas

Desde pequenos que somos levados a considerar os media (ou, usando uma expressão de Agustin Garcia Calvo, meios de formação de massas) como uma fonte viável de informações, os jornalistas como pessoas livres. Depois, os anos passam e damos conta que os media estão longe de serem neutros, descobrimos que suportam a maior parte das vezes, senão sempre, os poderes políticos e económicos. Longe de serem o espelho da realidade marginalizam ou mesmo ocultam muitos assuntos. São muito numerosos, mas, a sua uniformidade é flagrante.

Quais são as causas e as consequências desta situação? Quais são as alternativas?

Com este debate queremos chegar a uma síntese concisa e clara sobre os media e discutir, especialmente, a sua reinvenção.

19.00 – O legado Olímpico do Rio de Janeiro: Violações de Direitos Humanos e Estado Policial na implementação dos Megaeventos desportivos

Com a desculpa de promover obras de infra-estrutura necessárias para a implementação dos megaeventos desportivos Copa do Mundo de Futebol e Jogos Olímpicos, o governo do Rio de Janeiro vem construindo uma política de clara limpeza étnica e social na cidade. UPP’s, grandes obras, etc. vêm promovendo um processo de expulsão branca com o aumento dos valores do imóveis e do custo de vida, obrigando moradores mais pobres e negros das favelas das zonas turísticas da capital fluminense a mudarem-se para localizações extremamente distantes do Centro da cidade, locais com infra-estrutura pífia a cerca de 60 km de distância dos locais de trabalho desta população. Enquanto a Classe Média, historicamente elitista e branca do Brasil, aplaude as iniciativas destes governantes, a população se organiza em processos de resistência profundamente radicalizados, como é o exemplo da ocupação indígena “Aldeia Maracanã”, gerando conflitos extremamente desiguais com uma das polícias mais corruptas e violentas do mundo, cada vez mais bem armada. O objetivo então desta apresentação é mostrar filmes curtos que denunciam um pouco da situação que vivemos no Rio de Janeiro neste momento, e promover um debate sobre o processo de gentrificação e limpeza étnica promovido pelos governantes do Brasil e de outros lugares do mundo que passaram por processos semelhantes.

20.30 – Jantar vegetariano

22.00 – Encerramento da Feira

Actividades permanentes:

Espaço de actividades para crianças

(pinturas faciais, desenhos, trabalhos manuais)

Sábado e domingo das 15.00 às 20.00

Exposição: Um laboratório de experimentação… desde 2006

No princípio era a casa, livre e disponível no centro do Porto. Vieram pessoas amigas, trouxeram mais cinco, não tardou a serem muitas, as que dela tomam conta, as que dela usufruem. Sempre aberta a quem vem por bem, confluência de saberes e revoltas, perseguindo um objectivo comum: lutar por um mundo mais justo, construído na prática quotidiana. Conta já sete anos.

Exposição: Aldeia de Maracanã em Dezembro, Rio de Janeiro – Fotografia de Sofia Yu

A Aldeia Maracanã estava localizada numa velha mansão abandonada, não muito longe do centro do Rio de Janeiro e a poucos minutos de um gigantesco estádio de futebol. A propriedade esteve ao abandono durante décadas até à chegada dos primeiros índios. Após uma tentativa de ocupação falhada em 2004, a aldeia foi finalmente criada em 2006, quando um grande número de indígenas e seus apoiantes ocuparam este edifício histórico para impedir a sua demolição. A Aldeia albergou o Centro Cultural Indígena, que funcionava como ponto de encontro para índios provenientes de várias partes do Brasil e tinha em vista acolher a primeira universidade indígena do Brasil. A Aldeia foi despejada pela Polícia Militar em Março de 2013.

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