Contracultura e lugares alternativos na Espanha dos 90

Posted on 10 de Maio de 2013

0


rainbowporugal_1996

Sobre as “comunidades alternativas”, teve para o artigo mais extenso da Alambique nº5, particular importância o contributo de Martín Gómez-Ullate García de León. Ainda que de leitura académica se trate, é um trabalho que ultrapassa o mero academismo por assentar sobretudo nas experiências do próprio. Aqui encontramos o retrato daquilo a que nos habituamos a chamar de freaks, de hippies e demais familia, nas palavras de algúem que não se limita a observar, mas a viver e participar nesse movimento que designa contracultural. Uma realidade e um modo de vida incontornável e essencial para compreendermos as muitas experiências dessas comunidades nos anos 90, como  tudo aquilo que as orienta e move até aos nossos dias.

Apresentado em 2004, “Contracultura y asentamientos alternativos en la España de los 90 un estudio de antropología social” pode ser descarregado no repositório da Dialnet (Aqui e texto directo aqui). Algumas das análises aquí abordadas irão constar ainda no seu livro de 2009 “La Comunidad Soñada”(aqui).

…/ ideais, que na práctica, encontram todas as limitações e problemas que, por definição, atravessam qualquer tentativa utópica na sua vã experiência de materialização. Contudo, estes movimentos e lugares alternativos resistem e formam redes e posibilidades pelas quais transitam milhares destes desencantados /…

beneficio

Resumo:  «Este estudo antropológico analisa os movimentos contraculturais da última metade do século XX, no cenário da península ibérica dos anos 90, baseando-se principalmente no caso daqueles que rejeitam as cidades e que procuram no campo o cenário de uma alternativa nascida de uma recusa da sociedade circundante e em construção permanente. Back-to-the-land, new travellers, hippies, são todas palavras anglosaxónicas com as quais se tem baptizado estes grupos, mostrando a proveniência do seu nascimento nos EUA dos anos 70 e no Reino Unido dos 90. En Espanha [o autor inclui igualmente algumas experiências e testemunhos recolhidos e vivenciados em Portugal], as influências são determinantes, sobretudo de um movimento chamado Rainbow, mas a contracultura é como tudo, cultural, e em Espanha, toma uma matiz local. O estudo analisa os temas chave do nascimento deste movimento e o que a sua existência e desenvolvimento implica: o desencanto radical com o mundo actual e a sociedade de consumo, a luta contra a banalidade e o nihilismo e a busca da consciência, o desenvolvimento e a transformação pessoal, como solução proposta à transformação social. Para isso, seguem a vía romântica da fuga, a viajem e a construção de crono-topos ideais, que na práctica, encontram todas as limitações e problemas que, por definição, atravessam qualquer tentativa utópica na sua vã experiência de materialização. Contudo, estes movimentos e lugares alternativos resistem e formam redes e posibilidades pelas quais transitam milhares destes desencantados. Esta tese está baseada nun trabalho de campo de larga duração, através do qual, o antropólogo sofre un processo de adesão e transformação que são a principal fonte, no contraste con os outros das suas hipóteses, reflexões e análises.»

beneficiobeneficio_2

sase1

(Fotos: Encontro Rainbow Portugal 1996 (1); comunidades Beneficio (2-3) e Sasé (4))

Anúncios
Posted in: Alambique #5